sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

CABOCLO AKUAN E OS ASTECAS


Fonte: Terreiro de Umbanda Pai Maneco.


Já a algum tempo a curiosidade sobre a origem do Caboclo Akuan me motivava a pesquisar a cerca do tema. Durante minhas buscas em contextualizar seu Akuan à civilização asteca, fiz uma pausa e durante alguns
segundos, fiquei olhando para o nada. O livro Grifos do Passado, de Pai fernando Guimarães, estava à direit de minha mesa. 
Peguei-o para dar uma olhada, a fim de encontrar mais alguma informação que poderia ter escapado, deparei=me com o seguinte trecho:


"Quando sabia que ninguém podia me ver, punha minha filha no chão e ficava bom tempo brincando com ela, feito curumim. Foi precoce sua morte. Chorei muito e senti sua falta. Mas não ia querer conhecer a razão, sabendo que os deuses estavam cuidando dela", emocionado, parou de falar.


Os cambonos vendo a emoção da entidade, cuidaram para que ninguém do terreiro, chegasse por perto. Ele continuou:
"- Quando desencarnei, tive um reencontro. Esta menina, que quando encarnada era minha filha, hoje trabalha comigo, em forma de águia".
Lendo essa passagem, da qual não me recordava, tive a sensação de ter alguma informação no meu material que falasse sobre a interpretação asteca sobre morte infantil: 
as crianças pequenas, antes de começarem estudar, eram consideradas puras. Sendo asssim,quando morriam, iam para um jardim florido denominado Tonacaquauhtitlan. 
Lá viviam por toda a eternidade, sob a forma de pássaros, voando sobre as flores.


Desta vez fui eu, como filha do guia espiritual, Caboclo Akuan que me emocionei.

O presente texto objetiva apresentar especulação acerca da origem histórica do Caboclo Akuan, analisando onde ele pode ter vivido e os elementos míticos que o acompanham. Apresentando obviamente as informações acumuladas, as seguintes linhas se debruçam acerca apenas da relação entre os dois objetos da pesquisa.




CABOCLO AKUAN, ONDE VIVEU E ONDE NÃO PODE TER VIVIDO


Em primeiro momento, parecía-me acima de qualquer questionamento a origem tupiniquim de Seu Akuan, parando um pouco para pensar, esta certeza se esvai: se há espíritos orientais (linha do oriente), por que todos os caboclos da linha de Ogum, tinham que ser brasileiros...


Foi em busca de respostas, que na América Central me encontrei com a estória de meu Pai Akuan, contada pela história mundial.


O questionamento acerca da brasilidade da entidade surgiu, quando me dei conta que o cobre era uma mae=rca registrada nos trabalhos espirituais do Caboclo Akuan. Processos metalúrgicos não eram dominados por índios brasileiros, os quais não conheciam o ferro, o ouro ou o cobre. Seus traços mongóis, suas vestimentas e o seu histórico apontavam mais diretamente para as civilizações pré-colombianas, que em uma grosseira generalização, podemos dividir em: maia, inca e asteca.


A imagem do Caboclo Akuan é descrita como um homem de pele parda, estatura mediana, rosto redondo. Esta figura é essencialmente distinta da de um típico maia: ao nascer a criança maia passava por um ritual de achatamento do crânio, o que deixava a testa aplainada e o rosto intensamente alongado; o padrão de beleza maia vislumbrava olhos estrábicos; que eram forçados pela técnica de colocar uma pequena mbola de cêra entre os olhos do bebê; a cabeça era revestida com pesados nchapéus e as roupas eram intensamente coloridas, grandes em ornamentadas.


Desacredito também que seja um inca, civilização que possuia o costume de matar ou abandonar crianças nascidas fora do padrão. Uma criança minca, portadora de síndrome de Down, como filha do caboclo, mesmo que fosse acolhida no berço da família, dificilmente sobreviveria aos primeiros anos de vida, devido às severidades da infância; as crianças raramente recebiam colo, o primeiro banho era com água fria. 
Elas deviam andar completamente sozinhas, ainda no priemeiro ano de vida, e em casos de doença, lhes era dado o cordão umbilical como alimento.


Minha crença na origem asteca de seu Akuan, não parte das negativas recém expostas, ela nasce das infinitas afirmativas que encontrei ao longo de minha pesquisa. Porém, cabe ressaltar que escrevo essas linhas com a mente de uma leiga em história, que espera que baste a mão guiada pelo coração. No mundo das certezas não é permitido escrever uma pesquisa séria sobre uma entidade de Umbanda. Então por que screver... o que me faz arriscar... Porque tenho um trunfo que aprendi


com Seu Akuan: TER FÉ!




O MILITARISMO ASTECA E SEU AKUAN


O império asteca durou de 1325 a 1521. A capital do reino era 
Tenochtitlán (atual cidade do Méxixo). Guerrilhar era a principal atividade e a estrutura social era hierarquizada. A metalurgia era bem desenvolvida, apesar dos metais não terem grande valor econômico.


Seus exércitos eram divididos em pelotões, falanges. Dentre as tropas, duas eram de elite: "Guerreiros Àguias" e "Guerreiros Panteras".




GUERREIROS ÁGUIAS


Há um trcho no livro Grifos do Passado que me recordo bem: "Antes de subir o Caboclo (Akuan) faz um gesto como, se soltasse uma ave de seu antebraço(...)". A ligação do Caboclo como animal é tão intensa, que em seu ponto riscado, á águia é um elemento "desenhado" no canto da tábua.


A sociedade asteca possuia diversas classes, uma delas eram os Guerreiros Àguias. Constituiam um pelotão de elite do exército asteca. Vestiam roupas leves e quando usavam armadura esta era de couro, recoberta com penas de águia. Levqavam à cabeça um capacete de madeira em formato da cabeça da ave, revestido de penas. Normalmente lutavam com lanças compridas. Tais soldados eram acompanhados em suas batalhas pelos Guerreiros Jaguar.




GUERREIROS JAGUAR


Jáguar é um gênero de felino da família Phantera. Os Guerreiros Jaguar, possuiam este nome devido as suas vestimentas de batalha: trajavam-se com couro de jaguares mortos, e utilizavam um capacete confeccionado com ossos da cabeça do animal (ligado ainda à pele do jaguar com as presas e os pelos intactos).


Seu Akuan é o Guardião dos "Caboclos da Pantera", falange de entidades comumente chamadas nos trabalhos espirituais de demanda dirigidos pelo Guerreiro. A descrição da imagem "dos panteras" está em tanta consonância com a dos Guerreiros Jaguar, que seria redundância descrevê-la.


OS ANIMAIS QUE ACOMPANHAM SEU AKUAN E AS LENDAS ASTECAS


Já dizia Seattle, chefe espiritual deuma tribo indígena norte americana:


"O que é o homem sem os animais... Se todos os animais fossem homens morreriam de uma grande solidão de espírito. O que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios".


Todo animal carrega consigo um simbolismo. O homem não se contentou em observar o vôo ou escutar o galope, ele tinha que metaforizá-los.
Assim sendo, tanto o cavalo quanto a águia, animais que acompanham o Caboclo Akuan, foram protagonistas de lendas astecas. Em função do tema segue-se a presente análise:




A ÁGUIA


É considerada em diversas culturas como a "rainha dos pássaros", a mensageira, a substituta do fogo celeste. Ela não é um símbolo apenas para os astecas, tendo em diversas culturas interpretações muito, interessantes, na maioria das vezes, sendo ligada ao místico e a espiritualidade. Para os índios norte americanos, a águia é quem carrega a Iama xamã - fogo que representa a morte e o vôo estático.


Consideravam as penas da ave como um objeto de cura. Via-se a ave como um remédio. A consideravam como iniciadora e regeneradora, sendo a única que podia vagar pelo mundo dos espíritos e voltar parao mundo dos vivos.


Para os incas, a ave possuia o poder de absorção de energia e regeneração. Na tradição helênica, a ave é um atributo de Zeus. Na Roma antiga, era o emblema de Júpiter, no Egito era a forma material de representação do deus Hórus, os nórdicos ornamentavam seus capacetes com suas penas. Os astecas viam a águia como o próprio Sol (Tonatiuh). A bandeira mexicana tem o símbolo da águia comendo uma serpente em memória ao povo asteca. 
Uma vez seu Fernando disse que Iansã - Orixá dos Raios e Trovões, era os braços do terreiro Pai Maneco. Toda vez que olho para a estátua da águia do Seu Akuan em cima do congá, e lembro das lendas e histórias que envolvem esse
animal em diversas culturas, penso: O Terreiro do Pai Maneco tem braços...não teria asas...


O CAVALO


Assim como a águia, o cavalo tem profunda ligação com a mitologia. Sua função mítica e, geralmente, ligada à condução dos deuses de um mmundo ao outro. Posseidon era o deus grego dos cavalos, com o poder de se transformar num.


Os astecas previram a vinda de um deus de muita luz: Quetzalcoati, esse futuro condutor da nação era esperado de 52 a 52 anos.


Dizia-se que viria montado em um animal beanco. O Imperador Moctezuma II conduziu cocluiu precipitadamente que o conquistador espanhol Fernão Cortez era esse deus (afinal havia chegado montado em umcavalo branco e com sua armadura reluzente, exatamente em um dos anos esperados para a chegada de Quetzalcoati - 1519). 
De uma maneira simbolista, seria muito coerente o Caboclo Akuan, se asteca, fosse trazido em um cavalo branco, uma vez que é sim, UM GUIA DEMUITA LUZ!
SALVE O CABOCLO AKUAN
SALVE OGUM!

Fonte: Terreiro de Umbanda Pai Maneco.
Para copiar cite a fonte.

Um comentário:

Cigana do Oriente disse...

Olá, cheguei nesse blog por acaso, pois estava tentando achar uma imagem do Pena Branca pra postar no meu blog
Sou Umbandista e trabalho com ele. Criei um blog recentemente e gostaria de colocar o seu na minha lista.
Meu endereço é: http://valedosolencantado.blogspot.com/
Estou com pouco tempo, mas assim que der venho ler os outros artigos, abraços

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