quinta-feira, 5 de abril de 2012

A cerimônia do Potlatch

E uma cerimônia presente na  cultura dos indígenas norte americanos, especialmente dos povos indígenas da costa noroeste do Pacífico do Canadá e Estados Unidos. Isto inclui Nação Heiltsuk , Haida , Nuxalk , Tlingit , Makah , Tsimshian ,  Nuu-chah-nulth , Kwakwaka'wakw , e Costa Salish.
É uma espécie de agradecimento em forma de renúncia de bens materiais por um acontecimento que tenha trazido grande felicidade, como o nascimento de um filho ou a cura de uma doença, celebração de ritos de passagens, casamentos
Além dos bens materiais que variam em função das posses de quem está realizando o agradecimento, há ainda um banquete oferecido à comunidade.
A oferta de bens é uma espécie de redistribuição da riqueza, que além do foco religiosos também tem uma interpretação social.

É um dia muito esperado e de muita alegria, com cantos e danças, pinturas corporais, uso de máscaras e adornos típicos. Em alguns povos, acontecem encenações que contam a genealogia dos anfitriões e danças com coregrafias elaboradas.
Makahs gather for a potlatch, Neah Bay, Washington, ca. 1923 

Entre os presentes distribuídos estão alimentos, roupas e calçados, dinheiro entre outros. E estão relacionados de forma proporcional à riqueza de quem está realizando o potlatch, às relações hierárquicas dentro e entre os clãs, vilas, e nações, são observadas e reforçadas através da distribuição da riqueza.

A palavra Potlatch  significa "dar"e é também o nome de uma cidade localizada no estado americano de Idaho, no Condado de Latah.


Imagem
http://www.haidadesigns.com/culture.htm
http://content.lib.washington.edu/cdm4/item_viewer.php?CISOROOT=/loc&CISOPTR=2129

sábado, 17 de março de 2012

Xokleng: nome, língua e Localização



Os índios Xokleng da TI Ibirama em Santa Catarina, são os sobreviventes de um processo brutal de colonização do sul do Brasil iniciado em meados do século passado, que quase os exterminou em sua totalidade. Apesar do extermínio de alguns subgrupos Xokleng no Estado, e do confinamento dos sobreviventes em área determinada, em 1914, o que garantiu a "paz" para os colonos e a conseqüente expansão e progresso do vale do rio Itajaí, os Xokleng continuaram lutando para sobreviver a esta invasão, mesmo após a extinção quase total dos recursos naturais de sua terra, agravada pela construção da Barragem Norte.

Nome

A história do nome dos Xokleng tem provocado muitos debates. Desde seus primeiros contatos amistosos com os funcionários do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), a partir de 1914, as denominações dadas ao grupo foram as mais variadas: "Bugres", "Botocudos", "Aweikoma", "Xokleng", "Xokrén", "Kaingang de Santa Catarina" e "Aweikoma-Kaingang".

Estas denominações se devem à proximidade lingüístico-cultural existente entre os Xokleng e os Kaingang; à pouca importância dada pelos etnógrafos à auto-denominação; e ao desconhecimento da etno-história dos Xokleng.

Xokleng : Histórico do contato


Desde o início do século XVIII, já se estudava a possibilidade de ligar o Rio Grande do Sul a São Paulo para melhorar o comércio entre as duas regiões, incrementar a pecuária e a agricultura e abrir novas fronteiras. Este território, formado por enormes áreas de planalto, era tradicionalmente ocupado pelos índios Kaingang e Xokleng (estes últimos entre os paralelos 25º e 30º, e entre o planalto e o litoral). Em 1728 se dá a abertura da estrada de tropa entre as duas províncias (com basicamente o mesmo traçado da atual BR-116).

índios Xokleng: Contato, Organização Social e Cultura Material

Organização social e política pré-contato

Henry (1941) afirma que no passado remoto os Xokleng praticavam a agricultura e a caça, vivendo em vilas permanentes. Entretanto, antes do contato sistemático com os brancos, os Xokleng eram nômades, vivendo da caça e da coleta do pinhão (fruto da Araucaria angustifolia), não tinham acampamentos fixos e, portanto, não mais cultivavam a terra. Segundo Urban (1978), dividiam e organizavam seu tempo em dois períodos, verão e inverno. Os grupos, que variavam de 50 a 300 pessoas, passavam o inverno no planalto, se alimentando do pinhão. No verão desciam para o vale, se reuniam e construíam ranchos, em semi-círculo, voltados para uma praça central onde faziam os rituais de iniciação, casamentos, ritos funerários, confraternizavam, caçavam e planejavam ataques aos inimigos. Terminada a estação cerimonial, a vila se desfazia, e os grupos saíam para mais uma jornada no planalto no inverno, e se reencontravam para outra cerimônia, já planejada, no verão.

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